sábado, 11 de janeiro de 2014


Kiriku, a Griot e a aldeia comemorando.

Acabamos de assistir ao episódio de Kiriku, os homens e mulheres. A imagem acima foi retirada de uma das várias histórias contadas nesse filme. Regra geral, quando Kiriku realiza um feito heróico, a aldeia toda canta e dança uma música em sua homenagem. João Gabriel também parecia querer entrar na dança, pois não deixava de chutar a "pleridural" da mamãe. Aqui vai um dos trechos mais cantados nos filmes: 

Kirikou n'est pas grand, mais il est vaillant
Kirikou est petit, mais c'est mon ami
Kirikou n'est pas grand, mais il est vaillant
Kirikou est petit, mais c'est mon ami

É muito legal! Bom, mas nesta postagem queria chamar a atençao para a mulher de saia azul que está no centro da imagem acima. Trata-se de uma Griot. Isso mesmo! Uma Griot. Não sei se você sabia, mas eles são guardiães da história e da memória de muitos povos africanos se encarregando de transmitir oralmente o legado acumulado do passado para as novas gerações. 

Isso me lembrou de um filme que gostaria também de recomendar: trata-se de "Keita! O legado do Griot" (você pode baixá-lo neste link:http://cine-africa.blogspot.com.br/2012/12/keita-lheritage-du-griot-dany-kouyate.html ;ou pode assisti-lo em francês neste:http://www.youtube.com/watch?v=y4oY4d5f66E).  

A sinopse do filme é a seguinte: "O velho griot Djeliba deixa sua aldeia do interior e se instala na residência da família Keitapara realizar uma missão: a iniciação do menino Mabo nas tradições familiares, cuja origem remonta a Sundjata Keita - o fundador do Império do Mali.  Mas as diferenças entre a memória preservada pela oralidade e a história ensinada a Mabo na escola geram um clima de tensão entre o valor da tradição e as exigências da sociedade africana moderna. O foco da tensão será a divergência entre o conhecimento histórico ensinado na escola e a memória história preservada pelos tradicionalistas". 

No longa de Kiriku - por razões mesmas que só você assistindo - ele é levado a recontar para os membros da aldeia as histórias contadas pela griot a respeito da Epopéia de Sundjata (Imperador do Mali, que viveu entre 1190-1255). Só que, sentindo as expectativas de todos quanto ao desfecho da história, ele acrescenta um detalhe aqui e ali e encerra de forma espetacular - embora não corresponda ao final contado pela Griot. Com a descoberta da inventividade de Kiriku por um momento pôs-se em dúvida se era correto fazer isso, ao que ponderou a Griot: ela não apenas afirma que Kiriku tem uma habilidade favorável para recontar histórias, como também elogia o fato de ele ter tido a sensibilidade de formular um final bem de acordo com as expectativas dos interlocutores. É precisamente isso que me vem à mente quando me recordo daquelas histórias engraçadas que eram contadas no interior de juçaral (povoado perto de São Simão e São Miguel, do interior de Rosário) e que me deixavam com a pulga atrás da orelha: embora fosse a mesmíssima história, sempre tinha algo novo e inusitado. 

Então lá vai: Era uma vez uma criança esperta chamada Kiriku....


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